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19 junho 2012

Entrevista: Alexandra Forbes


Hoje vou começar uma tag nova de entrevistas e a primeiríssima convidada é a Alexandra Forbes do blog Boa Vida.

Eu AMOOOOOOOOOOO o trabalho da Alexandra, a sigo pelo mundo virtual e tenho uma pontinha de inveja do trabalho dela. Essa paulistana, que hoje vive em Montreal, viaja pelo mundo comendo, bebendo e testando hotéis, eu me pergunto “tem vida melhor que essa”???

Alê, além de ser blogueira é antes jornalista e escreve sobre gastronomia e viagens para as revistas CasaVogue, Wish Report, Prazeres da Mesa, e também para publicações estrangeiras, como Food & Wine, IN (da cia. aérea Lan), En Route (da cia. aérea Air Canada), Azure (especializada em arquitetura), o jornal Toronto Star, entre outras. E ainda é editora de gastronomia da GQ Brasil e colunista do jornal Folha de São Paulo.

Fala sério, quer convidada mais ilustre que essa pra começar uma tag? Eu tentei desvendar um pouquinho das curiosidades sobre a vida e trabalho da Alexandra, corre pra ler!



TI) Como começou na profissão de crítica gastronômica?
AF: Entrei para o Jornal da Tarde muito moça, aos 19 anos. Já adorava o tema, por isso pedi à minha chefia, no caderno então chamado Modo de Vida, que me deixasse escrever na mesma página onde saía à coluna semanal do crítico gastronômico Saul Galvão. Funcionou: logo eu tornei-me a repórter que cobria gastronomia no jornal. Quando fui convidada para ir para a VIP, disse que aceitaria se, entre outras funções, eu fosse a crítica gastronômica da revista. Exerci esse cargo lá durante sete anos.

TI) É preciso ter algum curso especial para começar nessa profissão?
AF: Não. É preciso escrever bem, ler muito, e adorar comer e saber comer, observando tudo, comparando tudo. 

TI) Como é o seu dia a dia? Come fora todos os dias? Em todas as refeições?
AF: Em minha casa em Montreal levo uma vida relativamente normal, comendo fora duas ou três vezes por semana. Nas viagens, muito frequentes, o ritmo intensifica-se, e vou a restaurantes praticamente todos os dias, quando não a dois por dia.

TI) Qual foi a pior experiência gastronômica que você já teve até hoje? E a Melhor?
AF: A pior foi em um restaurante francês nos Jardins, onde me serviram um peixe com cheiro de amoníaco de tão estragado. A melhor, claro, foi a primeira vez que jantei no El Bulli, uma viagem sensorial que guarda-se para todo o sempre.

TI) Algum dono ou chef de restaurante já foi atrás de você após uma crítica negativa?
AF: Muitíssimos, faz parte. Só detesto quando ligam para a chefia pedindo minha cabeça: acho covardia. 

TI) Qual sua refeição favorita?
AF: Arroz com feijão e bife.

TI) Na sua opinião, qual a melhor cidade do mundo para se comer?
AF: Londres.

TI) Se pudesse pegar um táxi para qualquer lugar do mundo para fazer uma refeição, para onde iria e qual seria o prato?
AF: Barcelona, para mergulhar de cabeça na última piração dos Adrià: o 41 Grados, um minirestaurante multimídia.

Alexandra, muitooooo obrigada pela entrevista, amei recebê-la no blog e por favor volte sempre!





11 outubro 2011

Sorvete de Nitrogênio Líquido

Oi gente, as aulas do Superior da Cordon Bleu começaram, mas fizemos 4 pratos tão chatos esses dias que ainda não me animei para dar nenhuma receita. Mas em compensação como tenho visita aqui em casa, tenho feito muitos passeios por Londres e revisto lugares com mais calma.
Sábado à tarde fui até Camden Town levar os amigos ao PUB da Amy e nas andanças pelo mercado reparei que uma portinha específica tinha uma fila enorme. Curiosa que eu sou, fui ver e encontrei um “laboratório” de sorvetes, The Chin Chin Laboratorists.




O Chin Chin é a primeira loja na Europa a fazer sorvete usando Nitrogênio líquido. Toda decorada como se estivéssemos realmente dentro de um laboratório, as coberturas e complementos ficam expostos dentro de tubos de ensaio e os atendentes usam aventais brancos e óculos. Nada de sorvetes já prontos para serem feitos em bolas, você escolhe o sabor (havia três tipos: Vanilla, Chocolate ou especial da semana de Pêra) e o seu pedido é feito na hora, na frente do cliente e são os protagonistas do show!




 O casal Ahrash Akbari-Kalhur e Nyisha Weber são os donos e os responsáveis por fazer a mistura para os curiosos clientes. Na batedeira que fica em sua frente eles colocam o sabor escolhido, adicionam o nitrogênio líquido (faz muitas bolhas quando está a sua temperatura de ebulição de -196oC) enquanto a moderna Kitchen Aid vai batendo. Em menos de 2 minutos o sorvete está pronto para você escolher seus complementos e deliciá-lo.



Agora você deve estar se perguntando se esse sorvete fica mesmo cremoso. O que acontece é que com a adição do nitrogênio, no estado líquido, a mistura cremosa do sabor congela instantaneamente e não forma nenhum cristal de gelo, resultando em um sorvete mais denso e cremoso.

Agora sinceramente se você me perguntar se o sorvete é melhor que o convencional eu não achei não. Não que seja ruim, é gostoso, porém ainda acho que a falta de sabores para escolher deixa a desejar. Mas o que conta aqui é a experiência de algo diferente e inusitado. Vale a pena pagar as 3,95 libras para ver de perto o show!
Se ficou interessado da uma passadinha no 49-50 de Camden Lock Place e avalie você mesmo!



Olha só o video:

10 agosto 2011

Mel Grifado

Eu sempre achei que moda, arte, música e gastronomia são temas totalmente interligados e que muitas vezes buscam inspirações e troca de informações uns nos outros e surgem coisas maravilhosas.
Agora você já imaginou um produto comestível com a marca Louis Vuitton? Pois é, por mais inusitado que pareça em 2009 a Louis Vuitton resolveu receber alguns hóspedes bem diferentes.  No telhado de sua sede, a “Belle Jardiniere” na Rua Pont-Neuf em Paris, colocaram 3 colméias de abelhas, que ao longo de três anos, 60 mil abelhas produziram 75 mil quilos de néctar, suficiente para que a Louis Vuitton pudesse ter um Mel para chamar de seu!

Além de tudo, acabou virando inspiração para nova coleção primavera-verão 2012 e os bichinhos (não os reais) tomaram conta das vitrines da marca francesa.
Agora você que está pensando qual a loja mais próxima que você pode correr pra comprar esse mel, pode esquecer. Com toda a produção foram fabricados somente 500 potes de mel que serão distribuídos apenas para amigos VIPS.


Uma curiosidade é que na Europa é relativamente comum pessoas em cidades grandes cultivarem colméias nas suas casas e produzirem seu próprio mel. Uma abelha que vive em área urbana produz até 4 vezes mais que uma abelha de área rural, devido ao risco de pesticida. Doido, né?!
 Inclusive um dos meus Chefs da Le Cordon Bleu (ele é Francês) tem na casa dele em Londres 3 colméias e mantêm toda a produção para seu consumo e teste de receitas. Lógico que para isso ser possível ele tem uma permissão da prefeitura e deve seguir certas regras, mas mesmo assim eu não consigo imaginar isso acontecendo em casas em São Paulo.
A Helô Gomes do Sanduiche de Algodão fez 3 posts bem legais falando dessa mistura GASTRONOMIA + MODA. Vale o Clique!

22 janeiro 2011

Hot Hot Hot - BURN!

Eu sabia que uma hora isso ia acontecer, mas na mesma aula sobre molhos eu consegui cortar meu dedão, espetar minha mão com a ponta da faca e queimar a minha palma...doeu, viu?! Atrapalhada eu?! Magina!

Isso tudo é pra aprender que cozinha é lugar para ser organizado, onde é preciso manter a concentração e a paciência. Com a pressão do chef falando no seu ouvido sem parar e do tempo contado no relógio para o prato ficar pronto.
Entre os fornos quentes e panelas borbulhando não há espaço para ser desorganizada e atrapalhada! Vivendo e aprendendo!
Obs: Nem reparem nas unhas sem fazer,  mas é proibido usar esmalte para mexer com comida!!

14 janeiro 2011

Cortando tudo! Menos meu dedo!

As semanas aqui começam a se encaixar e eu começo a entrar numa rotina e conseguir fazer tudo que planejo. Como eu só estou fazendo o diploma de Cuisine, para o curso básico tenho um total de 30 aulas demonstrativas e 29 práticas e a última prática é a prova final.
Como já comentei antes, a escola ainda está num prédio muito antigo então tem pouco espaço para todas as turmas terem aulas ao mesmo tempo, por essa razão existe um revezamento. Cada semana temos um horário diferente de aulas.  Essa semana tive 3 aulas demo e 2 práticas, a próxima prática será na segunda...deu pra entender a bagunça?
A primeira aula prática foi para aprendermos os cortes de legumes e frutas, e treinar a mexer com a faca. Assistindo a aula demonstrativa tudo parece muito fácil, o Chef corta as cenouras em Julienne com uma rapidez, tudo no mesmo tamanho e grossura, que chega parecer fácil de fazer! AHAHAHA! É MEGA difícil!
Eu sou uma das mais inexperientes no meu grupo de aulas práticas, a grande maioria já trabalhou em cozinha, já fez cursos antes, etc.. Eu mal sabia pegar na faca do jeito certo, mas o bom da Cordon Bleu é que apesar dos Chefs serem bastante rígidos com tudo que fazemos, eles realmente nos ensinam tudo nos mínimos detalhes e esperam o melhor de nós! E eu, como boa leonina que sou, orgulhosa que só, não quero desapontar o chef e muito menos ser a pior da classe. Quero ouvir: “CONGRATULATIONS! PERFECT JULIENNE, CHEF!”
Durante 3 horas cortamos muitoooos legumes (eu não me cortei! Ponto pra mim!).

Tipos de cortes:
JULIENNE: Cortes dos vegetais com 4cm de comprimento, cortadas em finas fatias de 2mm e essas fatias cortadas em tiras 2mm.
Usado para: Sopas, molhos e decoração.
PAYSANNE: Existem pelo menos quatro métodos aceitáveis para o corte Paysanne. O formato do vegetal que deverá determinar qual método deverá ser usado. Pode ser cortado em formato quadrado, triangulo ou redondo.
Usado para: Sopas, salada de frutas e decoração.
BRUNOISE: Vegetais cortados em tamanho conveniente, em formato de bloco. Cortar o comprimento em fatias de 2mm, cortar as fatias em tiras de 2mm e depois cortar as tiras em quadrados de 2mm.
Usado para: Sopas, molhos e decoração.
JARDINIÈRE: Cortar os vegetais com 1,5cm de comprimento em formato de bloco. Cortar em fatias de 3mm e essas fatias cortadas em tiras 15mm.
Usado para: Mix de vegetais e frutas duras.
MACÉDOINE: Vegetais cortados em tamanho conveniente, em formato de bloco. Cortar o comprimento em fatias de 0,5cm, cortar as fatias em tiras de 0,5cm e depois cortar as tiras em quadrados de 6mm.
Usado para: Saladas, salada de frutas e mix de vegetais.
HACHER: Picar em pedaços bem pequenos e finos.
Usado para: Qualquer tipo de ervas, folhas.
ÉMINCER: Fatiar os legumes
Agora você deve estar se perguntando, pra que todos esses cortes, quanta frescura... HAHAHA, meu caro, os franceses podem ter fama, mas de frescos não tem nada. A razão de cortar tudo em tamanhos e grossuras iguais (SIM, usamos régua nesse começo pra treinar os tamanhos) é para que os vegetais cozinhem juntos por igual! Assim você não corre o risco de ter em uma panela alguns pedaços de cenoura crus e outros já cozidos.  
A fotinho ai embaixo é de alguns dos cortes feitos pelo chef na aula demo, eu esqueci de levar minha máquina pra aula prática e tirar a foto dos meus cortes, mas prometo que as próximas eu mostro as minhas criações!!